Como Larvik extraía, armazenava e exportava gelo natural nos séculos XIX e XX
A pesquisa sobre a última era do gelo comercial
Este artigo foi atualizado em 8 de outubro de 2026 e constitui uma versão revista e ampliada de um texto anterior. Entre 1º de abril de 2018 e 31 de dezembro de 2022, o Museu Marítimo Norueguês coordenou o projeto de pesquisa “A última era do gelo”. A investigação abordou o comércio internacional de gelo natural no século XIX e no começo do século XX, mercado em que a Noruega teve participação expressiva. Nos anos de maior atividade, a produção e o embarque empregavam milhares de pessoas ao longo da costa norueguesa, principalmente na região a leste das montanhas, e mobilizavam centenas de embarcações.
O Conselho de Pesquisa da Noruega financiou o projeto com uma verba de 9,5 milhões de coroas norueguesas, concedida em 2018. O trabalho foi desenvolvido em colaboração com a Universidade do Sudeste da Noruega, a Universidade de Hull, no Reino Unido, e a Old Dominion University, na Virgínia, Estados Unidos. Entre seus resultados estavam duas teses de doutorado e dois livros publicados pela editora acadêmica Cappelen Damm, além de outros volumes em preparação. Estudantes de mestrado participaram das atividades; os pesquisadores publicaram 14 artigos avaliados por pares e realizaram mais de cem palestras ao longo do projeto.
Uma fotografia histórica mostra um cavalo puxando um arado especial que abria um sulco no gelo. Dois homens serravam blocos, enquanto outros dois os levantavam até a superfície. Era um trabalho pesado, realizado no frio, mas que podia oferecer boa remuneração. Em alguns lugares existiam canais ou calhas próprios para conduzir os blocos dos depósitos até os navios de transporte. A imagem foi preservada pelo Digitalt Museum.
O patrimônio do gelo em Larvik
Inspirado pela pesquisa sobre o comércio internacional, o autor procurou reunir informações acerca da produção local. Tor Bjørvik escreveu sobre o assunto no livro “Kulturminner i Larvik-distriktet”, e Bjørn Storm Halvorsen tratou do tema no quinto número de “Tjølling-minner”. A Associação Histórica de Tjølling organizou também uma caminhada temática relacionada à extração de gelo em Ula. Existem ainda referências em edições de “Nesjar”, publicação da associação histórica de Brunlanes.
O plano municipal de patrimônio cultural, entretanto, não apresentava informação sobre essa atividade. Em outros municípios já foram mapeadas numerosas lagoas artificiais utilizadas para obter gelo: em Asker, por exemplo, identificaram-se 22 lagoas antes da reorganização municipal; em Nesodden, mais de 25. O autor sugere que Larvik, em parceria com as associações históricas e possivelmente com o museu local, poderia inventariar as antigas lagoas e casas de gelo da região.
Exportação, Barkevik e os primeiros embarques
Também se exportava gelo natural da região de Larvik. O ano de maior volume foi 1884, quando os embarques superaram 30 mil toneladas de registro, equivalentes a aproximadamente 85 mil toneladas de gelo segundo a conversão indicada no texto. A instalação de Barkevik, em Brunlanes, era a maior da região e podia empregar até 250 homens. Outras localidades do município também forneciam cargas, como demonstram os anúncios e pequenas notícias preservados na imprensa.
Uma referência atribui a William Archer o início dos embarques de gelo a partir da região. Ele era pai do construtor naval Colin Archer. Outra fonte menciona uma carga enviada de Larvik por Porsgrunn já em 1835. O comércio cresceu consideravelmente durante a década de 1860. O gelo de Farris e de Herregårdsdammen, assim como as instalações ligadas a esses lugares, é tratado mais adiante.
Uma tabela de exportações da alfândega de Larvik em 1870 registra as mercadorias embarcadas. A antiga unidade comercial chamada kommerse-lest correspondia, segundo a informação apresentada na fonte, a cerca de 2.080 a 2.300 quilos. A categoria de outras mercadorias abrangia também peixe transportado em caixas com gelo.
Um anúncio publicado no Jarlsberg og Larviks Amtstidende em 31 de janeiro de 1855 procurava afretar um navio de 130 a 140 læster para carregar gelo rumo a Londres. A convocação fora assinada por W. Archer e datada de Laurvig, 26 de janeiro daquele ano.
Buadammen e os armazéns de Brunlanes
Uma fotografia de Buadammen foi registrada por Tor Bjørvik. Um aviso de falência publicado no Jarlsberg og Larviks Amtstidende em 5 de fevereiro de 1887 anunciava a venda de metade da propriedade de Bua, em Brunlanes. O conjunto incluía três depósitos de gelo com capacidade aproximada de 2.500 toneladas de registro, moradias para o encarregado e os trabalhadores, mata e terras suficientes para alimentar uma vaca. O anúncio afirmava que, com uma camada de gelo de 15 a 16 polegadas, o reservatório continha cerca de 4 mil toneladas de registro. Destacava ainda a posição favorável e o bom porto para as embarcações.
Uma imagem de 1885 documenta a empresa de gelo de Bua. Outra notícia, de 7 de abril de 1884, informava que as exportações realizadas pela alfândega de Laurvik no primeiro trimestre tinham alcançado 15.158 toneladas, das quais 14.407 provinham somente de Barkevik, conforme a grafia e os números da publicação histórica.
Fontes orais indicavam que se continuou a serrar gelo na área até 1955. Em 26 de janeiro de 1860, um anúncio no Morgenbladet oferecia gelo em blocos bem cortados e de excelente qualidade a preços baixos em diversos lugares próximos a Laurvig. O anunciante descrevia também um método recentemente experimentado para descarregar e armazenar gelo, que permitiria a um único homem preencher rapidamente um compartimento, de baixo a cima, sem ferramentas adicionais. Essa é uma descrição comercial da época, não uma comprovação independente do rendimento anunciado.
Ula, Viksfjord e as lagoas de extração
Em 19 de março de 1862, o Jarlsberg og Larviks Amtstidende publicou oferta de fretes de gelo com destino a Londres, para carregamento em Uhla e Viksfjord, sob responsabilidade de J. S. Steen. Em 23 de julho de 1862 apareceu outra oferta para gelo saído de Viksfjord.
Perto de Ødegården permaneciam vestígios de uma lagoa de gelo. Pelo tamanho, o autor considerou provável que servisse sobretudo ao uso particular. Informações orais também mencionavam uma casa de gelo associada ao reservatório. O produto exportado a partir de Viksfjord era cortado em Refsholttjønna e seguia pelo braço de água de Stuejordskilen, na extremidade interna do fiorde. Posteriormente, passou a ser enviado por Ula, onde também restaram vestígios de um depósito. A lagoa de Vittersøtjønna, em Tjølling, foi outro local de produção.
Bjørn Storm Halvorsen relatou que J. S. Steen firmou em 1865 um acordo com proprietários de terras para construir um depósito de gelo em Ula. Uma condição era melhorar a estrada entre Ula e Refsholt. Halvorsen considerava bastante provável que, antes disso, parte do gelo de Refsholttjønna fosse embarcada em Stuejordskilen, onde ainda existiam vestígios de uma velha estrutura de pedra. O acordo envolvia quatro propriedades rurais de Refsholt e duas de Tenvik.
Um acidente marítimo foi registrado em 1º de julho de 1868. A escuna inglesa Strathspey, que seguia de Uhla para a Inglaterra com uma carga de gelo, chocou-se contra uma das rochas de Rauerskjærene e apresentou vazamento. A notícia atribuía possivelmente o encalhe a uma corrente forte durante um período sem vento. O navio conseguiu entrar no porto naquela noite, foi esgotado por bombas na segunda-feira e deveria seguir para reparos em Hølen. A carga, pertencente a Søren Parr, de Drøbak, foi vendida ao comerciante H. L. Prebensen por 30 speciedaler.
O gelo que conservava a pesca de cavala
A indústria pesqueira local também dependia de depósitos de gelo. Um anúncio de 9 de maio de 1878 informava que tinham sido construídas casas de gelo em Ovnene, na entrada leste de Vigsfjord, para conservar a cavala. Os pescadores podiam vender sua produção a qualquer momento pelos melhores preços do dia, e o local oferecia pontos favoráveis para a pesca.
Na mesma data, outra publicidade anunciava uma casa de gelo na ilha Tidseløen, perto de Fredriksværn, também destinada à conservação da cavala. Os interessados em áreas para secagem eram orientados a procurar o barão Finn Wedel-Jarlsberg. Testemunhos locais mencionavam vestígios das fundações desse depósito em Tisler.
Em determinados anos, o comércio pesqueiro de Stavern recebia gelo de lagoas existentes na área do estaleiro. Havia extração em Kudammen, em Solstad; um depósito no Kysthospitalet foi demolido em 1970; e a fazenda Grevle mantinha sua própria lagoa e casa de gelo.
O gelo produzido nas fazendas para resfriar leite
A segunda parte do estudo, atualizada em 30 de abril de 2026, começa com a utilização agrícola do gelo. Muitos agricultores cortavam blocos na lagoa mais próxima para resfriar o leite produzido nas propriedades. Tor Bjørvik, autor de “Kulturminner i Larvik-distriktet”, transmitiu um relato de Martin Seierstad sobre o trabalho em Søndre Seierstad, em Hedrum.
Martin contou que as três fazendas de Søndre Seierstad buscavam gelo em Tjønna. Bredvei serrava os blocos; os outros transportavam e empilhavam. A fazenda da família possuía uma casa de gelo na parte inferior de uma rampa de celeiro feita de concreto. A serragem servia de isolamento, de modo que o gelo durava durante o verão. Os vizinhos utilizavam cercados para armazenar gelo: quatro paredes, sem telhado. Depois da morte de Bredvei, Anker assumiu o corte.
Na construção onde se preparavam alimentos havia uma espécie de armário de gelo, feito artesanalmente, com chapas de zinco no fundo e na parte inferior das paredes, além de um cano para escoar a água do degelo até o exterior. Transportar até esse armário um bloco vindo da rampa do celeiro não era simples: o gelo era frio, molhado e escorregadio.
Quando Olufine Seierstad adquiriu uma geladeira, provavelmente em 1950, a família deixou de cortar gelo. Rudolf Jacobsen e Anker Kvist continuaram por alguns anos, e o serrote e a tenaz usados na atividade ainda estavam em poder de Hans Johan Kvist quando Martin relatou a história.
A geladeira de Olufine foi descrita como um aparelho enorme, construído em madeira e revestido de zinco por dentro na parte inferior. Era embutido no lugar onde havia uma pequena despensa e possuía quatro portas na frente. As duas inferiores eram suficientemente grandes para receber latões de leite. O compressor era movido por um motor elétrico ligado por correia, do lado oposto, sob o banco onde ficavam a desnatadeira e a batedeira de manteiga. Mesmo instalado sobre blocos de borracha, o conjunto fazia bastante barulho.
Peixe e lagosta transportados em caixas com gelo
Um anúncio publicado em 4 de abril de 1863 oferecia gelo em blocos para carregamento em Laurvik e Landgangsfjorden por J. S. Steen. As fontes históricas documentam ainda exportações significativas de peixe e lagosta acondicionados em caixas com gelo. Uma notícia de 13 de junho de 1866 relatava que a pesca da cavala fora boa na semana anterior, a ponto de reduzir o preço, embora o mau tempo tivesse interrompido as atividades. Na segunda-feira, dez caixas de cavala acondicionada com gelo seguiram para a Inglaterra a bordo do Bergen.
O navio a vapor D/S Ragnvald Jarl foi construído em Newcastle em 1890 e operava uma rota entre Trondheim e Newcastle, via Bergen. Segundo a fonte marítima citada, teria sido o primeiro navio norueguês equipado com uma câmara refrigerada própria para transportar produtos como peixe. O texto original preserva ainda anúncios de caixas de gelo, fornecimento doméstico e comércio de blocos publicados em 1866 e 1867.
Em 9 de março de 1869, anúncios mencionavam gelo de dez polegadas de espessura extraído do rio Lågen, próximo a Fahret, e gelo em blocos de Klevertjærnet oferecido por Peter D. Iversen, conhecido também por outros negócios, inclusive comércio de vinho e aguardente. Havia uma casa de gelo em Kleiver, segundo uma testemunha. Por volta de 1985, a escola de Sky desenvolveu um projeto sobre o corte de gelo em Kleivertjønna e entrevistou aposentados locais a respeito dessa atividade.
Ulfsbak, Herregårdsdammen e antigos reservatórios
Outra publicidade, de 21 de janeiro de 1887, anunciava gelo de treze polegadas de espessura de Ulfsbaktjernet. A extração em Ulfsbak teria sido relativamente grande. O trajeto terrestre até Larvik era curto, e boa parte do gelo saía pelo porto da cidade. Algumas cargas também eram fornecidas a cervejarias.
A residência senhorial Herregården, construída em Larvik em 1668, provavelmente abriga um dos porões de gelo mais antigos da Noruega. A antiga represa Herregårdsdammen ficava entre Damveien, Herregårdsbakken e Kristian Fredriks vei. O nome da rua Damveien derivava desse reservatório. O conde Gyldenløve mandou construir a represa para proporcionar água sob pressão às fontes do jardim da propriedade. Ela foi aterrada em 1933.
Os jornais da época registraram não apenas o uso de gelo nos negócios, mas também problemas relacionados à água represada. O conjunto original reproduz anúncios e notícias de 1877, 1879, 1916 e 1921, inclusive uma oferta de gelo claro em blocos para consumo doméstico, feita por J. S. Steen em setembro de 1879.
O gelo de Oklungen no ano de exportações recordes
Uma notícia de abril de 1898 afirmava que parte do gelo chegava de lagos próximos à cidade, mas provavelmente a maior parte havia sido transportada por trem desde Oklungen. Uma fração também era exportada por portos de Telemark.
O pesquisador Knut M. Nygaard, autor de um estudo sobre a indústria do gelo norueguês e o exportador Thomas Johannes Wiborg, explicou que 1898 foi um ano recorde. O clima ameno tanto na Europa como na Noruega, especialmente no litoral, aumentou a procura. Oklungen, situado mais para o interior, conseguiu fornecer gelo apesar do inverno suave. A elevação dos preços europeus compensou o custo do transporte ferroviário até os portos, onde os blocos eram embarcados para compradores em outros países.
O texto também registra notícias de fevereiro de 1925 sobre pedidos de vagões ferroviários e uma observação publicada em fevereiro de 1929: os netos daquela geração provavelmente leriam com espanto, nos livros escolares, sobre o antigo comércio do gelo. O autor observa que, na prática, essa história não aparecia nem nesses livros nem no plano de patrimônio cultural do município.
Farris, qualidade da água e os antigos depósitos
Uma fonte mencionava que a maior parte do gelo era cortada em Farris e levada às docas, onde os navios aguardavam o carregamento. Segundo o autor, o lago era conhecido pela boa qualidade da água, condição particularmente importante para os compradores ingleses. Circulava em Londres o comentário de que se pagava mais pelo gelo suficientemente transparente para permitir a leitura do jornal The Times através de um pé de espessura; trata-se de um dito histórico reportado pela fonte.
O comerciante H. L. Prebensen exportava gelo de Farris e possuía ali um depósito de grandes dimensões. Morreu em 1870, mas a atividade continuou posteriormente. Uma notícia de 13 de julho de 1869 informou que a grande casa de gelo de Prebensen, perto de Bøkeskogen, desabara naquela manhã e fora completamente destruída. O imóvel havia sido erguido poucos anos antes e estava praticamente vazio; a perda do proprietário foi descrita como considerável.
Um anúncio de janeiro de 1877 oferecia serviços de transporte de gelo desde Farris por Christiansen & Co. O autor supôs que se tratasse da mesma firma que participara da fundação da cervejaria Laurvigs Ølbryggeri, em 1857. Em fevereiro de 1879, o jornal observava que não era pequeno o volume de gelo levado de Lågen, Farris e dos lagos próximos para abastecer a cidade.
Fontes orais relatavam que Børresen mantinha uma casa de gelo na rua Langes, em Langestrand, abastecida com blocos transportados de Farris por cavalo e trenó. Dessa forma, o mesmo território abastecia navios internacionais, pescarias, pequenas propriedades e residências urbanas, cada qual com necessidades e modos de armazenamento distintos.
A última era do gelo: a indústria do gelo natural norueguês
O texto “Den siste istid”, atualizado em 4 de agosto de 2025, registra que Eyvind Bagle defendeu em 26 de maio de 2023, na Universidade do Sudeste da Noruega (USN), a tese de doutorado “Nature’s Factory: A case study of Norwegian natural ice exports in the era of industrialization, 1840–1920”. Bagle trabalha no Museu Marítimo Norueguês, e a pesquisa de doutorado integrou o projeto desenvolvido pela instituição, intitulado “Den siste istid”. Conforme comentou um dos membros da banca avaliadora, a tese trouxe muitos conhecimentos novos.
O período de maior desenvolvimento da produção de gelo na Noruega estendeu-se de meados do século XIX até a Primeira Guerra Mundial. O Reino Unido e a Alemanha estavam entre os principais compradores de gelo natural. Mas a documentação também registra exportações para destinos distantes, incluindo Mianmar, o Congo, o Mar Vermelho e Nova York. O artigo apresenta anúncios e notícias comerciais que ajudam a acompanhar a dimensão internacional desse mercado.
Em 19 de abril de 1878, o Jarlsberg og Larviks Amtstidende publicou a notícia de uma partida para Rangoon com carregamento de gelo. Um anúncio divulgado pelo Vestmar em 6 de agosto de 1867 mencionava embarques para países mais ao sul, como o Congo. O Akershus Amtstidende noticiou exportação de gelo para o Mar Vermelho em 18 de julho de 1888. Outras referências documentam embarques destinados a Viena, em 12 de setembro de 1884, e a Odessa, em 19 de fevereiro de 1895.
O auge do comércio exterior norueguês de gelo foi 1898. Naquele ano, foram exportadas mais de 500 mil toneladas de registro, correspondentes a cerca de 1.415.000 toneladas de gelo natural segundo a equivalência apresentada na fonte. O artigo remete também às duas partes do estudo sobre Larvik e a outras pesquisas a respeito das rotas de exportação. Entre as referências citadas figuram a defesa acadêmica de Bagle, a documentação do Museu Marítimo Norueguês e uma notícia de 23 de novembro de 1880 do Stavanger Amtstidende og Adresseavis.
A indústria do gelo natural nos fiordes de Grenland
Quando um inverno frio se tornava mercadoria
Antes da refrigeração mecânica, blocos retirados de lagos e águas congeladas podiam ser conservados por meses e vendidos para usos que exigiam baixas temperaturas. Nos fiordes de Grenland, na Noruega, a presença de vias aquáticas e invernos rigorosos criou condições para uma atividade que reunia trabalho sazonal, infraestrutura de armazenamento e transporte.
Da superfície congelada ao depósito
A colheita dependia da espessura e da qualidade do gelo. Os trabalhadores preparavam a área, faziam cortes e deslocavam os blocos até pontos de armazenamento. O produto precisava ser protegido do calor e da exposição direta ao ar. Depósitos isolados ajudavam a reduzir o derretimento antes da chegada do transporte e do comprador.
A relação com os fiordes
A geografia costeira era parte importante da logística. Um bom local de extração não bastava se o gelo não pudesse ser retirado, armazenado e levado aos mercados. Os acessos por água, os embarques e a proximidade das áreas de consumo influenciavam o valor econômico do trabalho. Por isso, a história dos antigos reservatórios de gelo é também história de estradas, embarcações e comunidades.
Vestígios de uma indústria desaparecida
Muros, bases de edifícios e nomes de lugares podem preservar a memória de empreendimentos que deixaram de operar quando tecnologias de refrigeração mudaram o mercado. A leitura desses vestígios deve considerar o uso original das estruturas e as transformações da paisagem. Não é suficiente encontrar ruínas junto à água para afirmar que pertenciam a um antigo negócio de gelo.
Reservatórios e comércio de gelo em Grenland, Noruega
Uma mercadoria que precisava continuar fria
O gelo natural era um produto perecível. Para que tivesse utilidade comercial além do inverno, era necessário organizar a extração e reduzir as perdas durante o armazenamento. Na região norueguesa de Grenland, a ligação entre águas congeladas, áreas de depósito e rotas de transporte ajuda a explicar a presença de antigos empreendimentos ligados ao gelo.
Reservatórios e isolamento
Depois do corte, blocos podiam ser armazenados em estruturas destinadas a diminuir a entrada de calor. O sistema de isolamento e o tempo entre extração e comercialização influenciavam as perdas. Armazenar grandes quantidades não era suficiente: também era necessário planejar o acesso ao depósito na época de embarque.
Trabalho durante o inverno, venda em outra estação
A atividade articulava calendários diferentes. O corte dependia das condições de congelamento; a demanda por resfriamento podia ser maior em épocas mais quentes. Essa diferença tornava o armazenamento central para o negócio. Trabalhadores, carregadores e transportadores participavam de uma cadeia que raramente aparece inteira em uma única fotografia.
Uma paisagem com funções antigas
O desaparecimento da indústria não eliminou completamente seus vestígios. Certas estruturas e topônimos podem indicar usos passados, mas precisam ser identificados com documentos e observação no local. A história do gelo é também uma história de infraestrutura e da adaptação das comunidades a mudanças tecnológicas.