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Acervos técnicos e história do transporte sobre neve

Mole Mink, Hydrotrac e máquinas artesanais: veículos raros da neve australiana

Veículos pouco identificados no transporte de inverno

Uma fotografia de 1957 documenta o transporte de um esquiador ferido de volta ao Mt Hotham Hotel, em Victoria, por meio de um trator de neve de origem não identificada, que rebocava um trenó. O registro pertence aos National Archives of Australia. Outras fotografias do período ajudaram a reconhecer modelos que tinham permanecido sem identificação nos levantamentos históricos.

Damien Breitfuss, de Perisher Manor, identificou em uma imagem de aproximadamente 1960 um veículo Mole Engineering Mink. O Mole Mink era fabricado na Austrália naquela época, e o exemplar foi utilizado para transportar suprimentos e esquiadores até Falls Creek, em Victoria. Damien também forneceu outra fotografia de um Mole Mink, aparentemente tirada do Sundeck Hotel, em Perisher Valley, por volta de 1960.

A mesma imagem foi incorporada a um folheto comercial do Mole Mink, disponibilizado por Ralph Zollinger. Ralph também contribuiu com uma ficha técnica do modelo. Segundo a documentação reunida, o veículo aparentemente utilizava diferenciais provenientes dos M29 Weasel. A comparação entre fotografias, folhetos e especificações foi decisiva para reconstruir a identidade dessas máquinas.

Um resgate noturno realizado com o Snow Mink

Richard Bell relatou uma experiência de resgate de esquiadores em Bogong High Plain, em 1965. Ele e outras pessoas foram de esqui até Falls Creek para buscar um médico que atendesse um companheiro com a perna quebrada. A viagem de volta foi feita em um veículo de neve Mole chamado “Snow Mink”.

No interior do veículo estavam cinco pessoas: o motorista, um integrante da equipe, o médico, Richard e outro esquiador. Richard recordou que os ocupantes tiveram de se distribuir pelos cantos, com o integrante da equipe no meio, para conseguir a melhor tração e estabilidade. O grupo partiu às dez da noite para localizar o ferido nas proximidades de Marms Point, depois da represa de Rocky Valley. Segundo Richard, o Snow Mink cumpriu toda a operação sem falhar.

Outra fotografia rara compartilhada por Damien Breitfuss indica que pelo menos um Mole Mink chegou até os territórios australianos situados na região antártica. A imagem não tinha data. É um registro de alcance geográfico incomum para uma máquina mais associada às áreas de esqui de Victoria e Nova Gales do Sul.

Hydrotrac: a máquina hidrostática feita em Melbourne

Damien Breitfuss também identificou um Hydrotrac construído localmente por Terry O’Hare, da Recar, em Melbourne. Segundo as informações por ele reunidas, teria sido o primeiro veículo de neve com transmissão hidrostática movido por um motor Holden. Ele considerava possível que apenas uma ou duas unidades tivessem sido fabricadas.

Duas fotografias, ambas raras, mostram o Hydrotrac. A documentação disponível não permite converter a estimativa de produção em número definitivo. A informação deve permanecer como avaliação da pessoa que levantou o histórico, em vez de ser apresentada como dado de fabricação comprovado.

Rolba Turbo Trac e outros modelos de identificação incerta

Duas fotografias realizadas após a temporada de 2011 mostram equipamentos Rolba Turbo Trac no depósito da Hans Oversnow, em Jindabyne. Um deles é um modelo da série 150, vermelho, e o outro, da série 260, amarelo. O pesquisador responsável pelo acervo observou que os veículos Rolba parecem ter sido raros na Austrália, mas deixou expressa a possibilidade de correção.

Em agosto de 2013, um Rolba Turbotrac 260 da Hans Oversnow foi fotografado estacionado no terminal de transporte sobre a neve de Perisher. O veículo parece ser o mesmo registrado com o capô levantado na série de imagens de 2011. Outra fotografia mostra uma máquina não identificada em Falls Creek, fora da temporada. A hipótese apresentada era que se tratasse de um Bombardier Bombi modificado ou de um Thiokol menor adaptado; não havia identificação definitiva.

O Sno Mouse feito à mão em 1965

Richard Bell contou que, em 1965, construiu uma máquina individual chamada “Sno Mouse”, utilizando um conjunto de esteiras de um Sno Cat e um motor de cortador de grama. Havia uma cobertura sobre a esteira, e a direção era controlada pelo movimento de uma perna estendida para a esquerda ou para a direita.

A máquina cabia no banco traseiro de um Volkswagen Fusca. Richard pretendia substituir com ela os Land Rovers que utilizava no inverno entre o estacionamento e seu alojamento em Mt Buller. Na avaliação dele, o Sno Mouse poderia percorrer em uma hora sobre a neve um trajeto que uma pessoa levaria um dia para completar a pé. Justamente por isso, a confiabilidade era uma preocupação importante.

Ele acabou limitando o uso à fazenda, onde a utilizava no início da manhã para reunir cavalos antes de selá-los. A máquina já não funcionava quando contou sua história. O motor era um Victa de cortador de grama, de 175 cm³. Richard lembrava que, se o operador acionasse a embreagem sem delicadeza, o veículo se levantava e o derrubava, deixando-o correndo atrás da máquina para montar novamente. O combustível extra era transportado numa garrafa dentro de uma mochila, solução temporária até que ele pudesse inventar uma bolsa de combustível para arrastar atrás do equipamento.

Veículos menores nos resorts e restrições de propriedade

O levantamento dos equipamentos menores utilizados nas áreas alpinas australianas foi apresentado como uma seleção representativa, não como um catálogo exaustivo. O campo inclui numerosos modelos e variantes. O autor original observou que aceitava acréscimos e correções, reconhecendo expressamente os limites de seu conhecimento.

Uma particularidade australiana ajuda a explicar o perfil desses veículos. Apesar da existência de frotas expressivas nos resorts, a propriedade e a operação de equipamentos sobre a neve geralmente foram restritas a quem tinha necessidade comercial efetiva: alojamentos, lojas, operadores de estações e serviços de emergência. Por isso, a Austrália não desenvolveu a mesma proliferação de veículos privados para exploração do interior nevado encontrada em outros países.

Ski-Doo, Snow Cruiser, Arctic Cat e Polaris

Entre os registros mais antigos está um Ski-Doo fotografado em Perisher Valley, possivelmente na metade da década de 1960. Um modelo muito parecido, ou talvez o mesmo, estava preservado no National Alpine Museum of Australia, em Mt Buller, quando foi fotografado em 2011.

Um OMC 208A Snow Cruiser aparece numa fotografia aparentemente do começo dos anos 1970 perto do Jolly Swagman Lodge, em Perisher Valley. Outra imagem, provavelmente do fim daquela década, mostra um Ski-Doo de modelo não identificado em frente ao Man From Snowy River Hotel, também em Perisher Valley.

O National Alpine Museum conservava ainda um Bombardier Ski-Doo de 1979, fotografado em 2011 ao lado de sua placa explicativa. Em 1986, um funcionário da Snowy Mountains Authority utilizava um Ski-Doo para inspecionar linhas de energia elétrica. O modelo se parecia bastante com o Bombardier preservado no museu.

Em 2011, um Arctic Cat 4x4 sobre esteiras, aparentemente novo, foi registrado no depósito da Hans Oversnow em Jindabyne. A empresa possuía licença para vender Arctic Cat na região de Snowy. Em setembro de 2012, uma fotografia mostra o que parecem ser três Arctic Cat 4x4 em Mt Baw Baw. Em junho de 2013, um Polaris Ranger também foi fotografado em Mount Baw Baw, em Victoria.

M29 Weasel: de veículo militar a transporte na neve de Kosciuszko

Um veículo anfíbio de esteiras com origem militar

O M29 Weasel foi concebido durante a Segunda Guerra Mundial como um veículo leve capaz de se movimentar em terrenos difíceis. Seu sistema de esteiras procurava permitir que carga e pessoas atravessassem superfícies onde veículos convencionais tinham dificuldade. No pós-guerra, máquinas militares excedentes passaram a interessar também a operadores civis, inclusive em regiões de neve.

Da logística militar ao serviço de inverno

Uma máquina adaptada ao transporte militar não se transforma automaticamente em um veículo adequado a turistas. As necessidades de acomodação, proteção contra o frio, transporte de bagagens e manutenção são diferentes. Os registros de Weasels nas montanhas australianas mostram justamente esse cruzamento entre material de origem militar e usos ligados ao desenvolvimento do turismo de inverno.

Registros na região de Kosciuszko

Kosciuszko e Charlotte Pass aparecem repetidamente na história do acesso às montanhas nevadas de Nova Gales do Sul. Antes da expansão das estradas e de sistemas de transporte mais especializados, deslocar pessoas e provisões era um desafio sazonal. Os veículos sobre esteiras faziam parte de uma tentativa de manter trajetos possíveis mesmo quando a neve interrompia a circulação comum.

Por que conservar a identificação correta

Fotografias antigas podem reunir veículos com aparência semelhante, mas de modelos ou adaptações diferentes. Por isso, a identificação de um Weasel exige atenção à carroceria, às esteiras e ao contexto da imagem. A história técnica fica mais precisa quando se distingue um registro confirmado de uma atribuição baseada apenas em semelhança visual.

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